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O planejamento estratégico é vital!


Gato, pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?
Isso depende muito do lugar para onde você quer ir, respondeu o Gato.
Mas eu não sei para onde ir! — exclama Alice.
Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.

É quase poético para um tema tão importante, mas parafraseando Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas, se você tem uma empresa e não sabe para que ela existe, qualquer plano é bom o suficiente.

Planejamento estratégico é uma forma de você detalhar o caminho para seu objetivo, o modo escolhido para atender seus consumidores e os acionistas da sua empresa, mesmo que sua empresa seja individual, e envolve desde você saber qual é o seu negócio, quem são seus clientes, quais seus concorrentes, qual o custo e o retorno esperado, quais indicadores serão olhados até a forma de gestão que você adotará no caminho para seus resultados. De forma mais prática, podemos agrupar estes temas da seguinte forma:

1 — Identidade corporativa

Vamos falar de missão, visão, valores e propósito e, na minha carreira, já perdi as contas de quantos executivos e executivas me disseram que isso não valia nada no dia a dia da empresa. Ao se iniciar um planejamento estratégico é importante definir a personalidade de sua empresa e como ela vai se identificar no mercado, quais ações são esperadas dos colaboradores e quais são rejeitadas. O que o consumidor deve esperar da nossa empresa ao fazer negócios conosco. Como vamos fazer a vida deles ou delas melhor apenas por ser nossos clientes?

Esta reflexão é mais que um quadro na parede ou uma nota no crachá. É um comprometimento público de que queremos ser melhores. Em linhas gerais:

- Missão — Aquilo que sua empresa faz e como faz, a forma pela qual você trabalha todos os dias e porque seus clientes escolhem você.

- Visão — O futuro que sua empresa quer e do qual ela faz parte. Por favor, não pense em algo como “quero ser líder de mercado”, seus clientes não ligam a mínima para isso.

- Valores — Como você resolve os problemas que aparecem. Escrever transparência e não compartilhar informações com o time é não só uma hipocrisia, mas também uma mentira para os consumidores.

Todas as pessoas mudam ao longo do tempo, assim como a cultura de uma empresa também muda. Mudar estes itens não é um problema, eles devem ser ajustados ao tempo e a maturidade da sua empresa, mas mudá-los o tem todo indica que algo está errado. Sua empresa deve, uma vez definida a identidade, trabalhar ativamente para mantê-la vigente.

2 — Mercado

Sabemos quem somos, o que fazemos e para quem fazemos, este último ponto indica nosso mercado. E se temos um mercado, podemos agora estudá-lo também. E uma das melhores ferramentas para se iniciar este processo é a boa e velha análise SWOT / FOFA, que dividem o ambiente interno e externo para análise. Em outras palavras, o que está ao nosso alcance e o que não está.

A matriz SWOT (inglês para Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças, daí o FOFA), proporciona você a fazer quase que intuitivamente uma lista de pontos a serem observados. Esta lista fará com que você tenha um acesso rápido a informações importantes sobre seu negócio:

- Forças — Aquilo no qual você é bom, coisas que você sabe fazer bem e dependem só de você, podem ser sua “vantagem competitiva” se bem exploradas. Podem ser custo, equipe, logística e coisas afins.

- Fraquezas — O oposto das forças, aquilo que você não faz bem, comparativamente no seu mercado. Você não pode ter uma força e uma fraqueza iguais para um mesmo mercado. Aqui você provavelmente vai trazer exemplos de concorrentes que atuam melhor que você.

- Oportunidades — Suas forças te colocam em posição de vanguarda para aproveitar quais oportunidades de mercado? O que pode acontecer no mercado, que está além do seu controle, mas que pode ser bom para você?

- Ameaças — O que vai acontecer no mercado que vai atrapalhar a sua empresa? Como você pode investir em suas fraquezas para diminuir estas ameaças?

Eu creio que está matriz é tão útil que deveria ser ensinada na escola fundamental.

3 — Objetivos e Plano de ação

De posse seu cenário de mercado, agora você pode estabelecer objetivos de médio e longo prazos e com eles, criar um plano de ação.

Um plano de ações efetivo tem objetivos claros e mensuráveis, tanto quantitativa como qualitativamente e ações permeadas de indicadores. Não estamos falando de micro gestão, de criar um plano com todas as informações necessárias. No planejamento estratégico estamos vinculados ao macro, aos grandes marcos do caminho. Um bom plano de ação deve contar com um cronograma e um orçamento aproximado para os próximos anos, vem como indicar as fontes de financiamento (receitas e empréstimos) deste plano.

Em conjunto com os itens anteriores, estamos de fato com um planejamento estratégico na mão e este conjunto de informações deve ser revisado periodicamente.

4 — Gestão e Liderança

Um bom plano, sem gestão, é um livro não lido e é aqui que se faz necessária a presença de líderes. São os líderes que acreditam no plano estratégico e nas suas equipes que vão trabalhar incansavelmente para manter a cultura da empresa na rota definida, engajando colaboradores e inspirando ações.

São as ações do dia a dia, os planejamentos táticos e operacionais que refletirão os resultados do planejamento estratégico. Ou seja, para não jogar fora todo o trabalho, foco no que foi decidido. Escolha as pessoas certas e as capacite para executar o que foi planejado. Incentive e aprenda com os erros. Não tolere falta de ética. Estes são apenas alguns exemplos de como pensar o dia a dia.

Mas gestão não é só cultura, é foco em resultado. Como está o andamento dos negócios? Como está a relação dos indicadores previamente definidos? Houve mudança no cenário? As oportunidades ou ameaças se concretizaram?

Por estas perguntas é possível perceber que para se fazer gestão de um plano estratégico, ele deve estar sempre bem fresco na cabeça dos gestores e gestoras.

Conclusão

Para a elaboração de um planejamento estratégico é necessário envolver toda a liderança da sua empresa, bem como profissionais chaves experientes que possam fazer a diferença no futuro. É necessário também que as informações inseridas no plano sejam realistas e comprovadas de alguma forma. Não adianta se basear só na experiência, é preciso fazer pesquisa de mercado, ler relatórios financeiros, acompanhar a legislação do seu setor e muito mais para ser o mais concreto possível.

Se você tem apenas um ou outro item em sua empresa, você não tem um plano estratégico. Se você tem todos os itens, porém não faz gestão, você não tem um plano estratégico.

Decidiu fazer um e mesmo com estas dicas não sabe por onde começar? Vamos conversar!

Forte abraço!

Artigo originalmente publicado por Mauricio Guimarães em 27/01/21 no @Medium.

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